Desde o início, a Igreja sofreu perseguição e martírio por viver a dinâmica da Cruz-Ressurreição de Jesus Cristo. Muitos homens e mulheres deram testemunho de fé até as últimas consequências, superando o medo e se entregando à morte na fidelidade ao Projeto de Jesus. É nesse contexto que se insere a história de Santo Apolinário, que nos leva diretamente às origens do cristianismo. Embora os detalhes exatos de sua trajetória misturem história e antigas tradições da Igreja, ele é amplamente venerado como o primeiro bispo de Ravena, na Itália, e um dos grandes mártires do século I (ou início do século II). Sua memória litúrgica é celebrada no dia 20 de julho.
Apolinário nasceu em Antioquia da Síria (região que hoje pertence à Turquia). De família pagã, sua vida mudou radicalmente ao conhecer o apóstolo São Pedro, que pregava na região por volta do ano 44 d.C. Profundamente tocado pelas palavras de Pedro, Apolinário converteu-se ao cristianismo e decidiu segui-lo até Roma.
No entanto, o rápido crescimento da comunidade cristã sob o pastoreio de Apolinário irritou profundamente as autoridades romanas e os sacerdotes pagãos dos templos locais (particularmente o de Apolo). Por recusar-se rigidamente a oferecer sacrifícios aos deuses romanos, o bispo enfrentou décadas de perseguições constantes: foi espancado brutalmente e exilado da cidade diversas vezes. Em uma das ocasiões, foi forçado a caminhar descalço sobre brasas ardentes. Foi exilado em regiões como a Grécia ou áreas do Danúbio; mesmo assim, ele nunca parava de pregar, sendo por vezes torturado e reenviado de volta à Itália por navio.
Por volta do ano 79 d.C. (durante o reinado do imperador Vespasiano), os pagãos invadiram o local onde Apolinário celebrava a liturgia. Ele foi arrastado pelas ruas e espancado de forma tão violenta que não resistiu aos ferimentos, vindo a falecer sete dias depois, cercado por seus fiéis, a quem continuou ensinando até o último suspiro. Seu episcopado em Ravena durou quase trinta anos.
No local de seu martírio, no antigo porto de Classe, foi erguida séculos mais tarde uma das obras-primas da arquitetura paleocristã, famosa por seus mosaicos deslumbrantes.
A Basílica de Santo Apolinário em Classe (em italiano, Basilica di Sant’Apollinare in Classe) é um dos monumentos paleocristãos mais extraordinários do mundo, declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, em 1996.
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Irmã Maria Freire da Silva
Diretora Geral Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.
Bacharel e mestra pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo e doutora em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, Itália.
