Além de grandes gênios do mês de janeiro, a Igreja ainda celebra um grande Marte, São Sebastião.
É um dos santos mais populares e venerados do cristianismo, especialmente no Brasil e na Europa. Sua trajetória combina a bravura militar, a fidelidade inabalável a Cristo e uma simbologia iconográfica que atravessou séculos na história da arte.
O Soldado de Cristo
Nascido em Narbona (França), mas criado em Milão, Sebastião seguiu a carreira das armas e tornou-se um oficial de destaque na guarda pretoriana em Roma, sob o governo do imperador Diocleciano.
A Vida Dupla
Sebastião utilizava sua posição privilegiada e o uniforme militar como “escudo” para exercer sua verdadeira missão: consolar cristãos perseguidos, visitar prisioneiros e converter secretamente outros soldados e nobres romanos.
O Testemunho
Sua identidade cristã foi revelada quando defendeu publicamente dois irmãos, Marcos e Marcelino, encorajando-os a enfrentar o martírio em vez de renunciar à fé, viveu o duplo martírio, o que torna a história de Sebastião singular é o fato de ele ter sobrevivido ao seu primeiro martírio.
O Suplício das Flechas
Ao descobrir sua fé, Diocleciano ordenou que Sebastião fosse amarrado a um tronco e varado por flechas. Dado como morto, foi resgatado pela viúva Santa Irene, que cuidou de suas feridas. Após recuperar-se, em vez de fugir, Sebastião apresentou-se novamente diante do imperador para denunciar as injustiças contra os cristãos. Diocleciano, surpreso e furioso por vê-lo vivo. Ordenou que ele fosse açoitado até a morte no Circo Máximo e seu corpo jogado na Cloaca Máxima (o esgoto de Roma). São Sebastião é reconhecido como o Protetor contra a Peste, a Fome e a Guerra.
As Flechas
Na antiguidade e na Idade Média, as flechas eram metáforas para doenças que “feriam” a humanidade sem aviso. Por sobreviver às flechas, Sebastião tornou-se o intercessor por excelência em tempos de epidemias.
A Mística do Suplício
Para a teologia, Sebastião é o modelo do corpo que se torna oração. Suas chagas não são apenas sinais de dor, mas janelas de resistência. Ele personifica a ideia de que o espírito não pode ser aprisionado ou morto pelo poder imperial. Em sua figura, a fraqueza humana o corpo ferido revela a força divina, a sobrevivência e a coragem.
É possível relacionar Bárbara Maix e São Sebastião. Esta relação é profunda, pois tanto São Sebastião quanto Bárbara Maix bebem da mesma fonte: a mística do testemunho radical (martírio) dos primeiros séculos.
O Corpo como Templo e Testemunho
Para Bárbara, a comunidade é um “templo vivo” edificado pela alavanca da Cruz. São Sebastião encarna essa metáfora: seu corpo, varado por flechas, não é um símbolo de derrota, mas o próprio local onde a força de Deus se manifesta.
Em Sebastião: As feridas são sinais de fidelidade.
Em Bárbara: As crises da Congregação são “mortes aparentes” (como o primeiro martírio de Sebastião) que preparam a ressurreição.
A Resistência ao Poder Imperial
Ambos viveram o conflito entre a Vontade de Deus e os poderes constituídos. Sebastião usou sua posição militar para servir ao Reino, desafiando a arrogância de Diocleciano. Bárbara, em 1871, desafiou as mentalidades de sua época e as pressões institucionais para manter a fidelidade ao Carisma original, voltando-se ao modelo da Igreja Primitiva — a mesma Igreja de Sebastião.

Irmã Maria Freire da Silva
Diretora Geral Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.
Bacharel e mestra pela Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo e doutora em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, Itália.
