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CongregaçãoNovembro · 2026

Leia a mensagem da Diretora Geral, Irmã Maria Freire da Silva, na abertura do XXI Capítulo Geral

Um momento significativo foi a memória das Diretoras Gerais, desde Bárbara Maix, representadas por outras Irmãs em um gesto de gratidão por sua contribuição à história e à missão da Congregação.

Por Magnus Regis

Jornalista

Irmã Maria Freire da Silva

Na abertura do XXI Capítulo Geral Ordinário, a Diretora Geral da Congregação, Irmã Maria Freire da Silva, convidou as Irmãs a acolher os desafios do tempo presente e a discernir caminhos de esperança, profecia e cuidado com a vida, à luz do Evangelho e do carisma congregacional.

Um momento significativo de sua mensagem foi a memória das Irmãs que exerceram a missão de Diretoras Gerais ao longo da história, desde a fundadora, Bem-Aventurada Bárbara Maix. Durante a fala, elas foram representadas por outras Irmãs, em um gesto de gratidão que recordou a contribuição de cada uma à caminhada da Congregação e a continuidade da missão confiada às novas gerações.

Leia, a seguir, a íntegra da mensagem.

Irmã Maria Freire da Silva


Discurso de Abertura do Capítulo Geral Ordinário 2026
Irmã Maria Freire da Silva
Diretora Geral


Irmãs, reunidas em Capítulo Geral Ordinário no Amor da Trindade que nos precede, interpela e envia, Graça, paz e a santa ousadia do Espírito Santo estejam no coração de cada uma de vós.

Neste limiar em que cruzamos a escuta do Plenário para adentrar a responsabilidade decisória deste Capítulo Geral Ordinário — nestes dias sagrados de 3 a 12 de novembro — , a Palavra de Deus e os gritos da história nos desafiam a abandonar o terreno das meras análises institucionais para entrar no mistério da gestação divina. Não nos reunimos num vácuo social ou espiritual, mas no coração ferido de um mundo em profunda transformação.

O horizonte espiritual que nos convoca — "Reconfiguradas com Jesus Cristo, tecer caminhos de esperança e profecia no cuidado com a vida" —, selado pelo lema "Nascer de novo", exige de nós uma rigorosa teologia da encarnação, do despojamento e do discernimento pascal diante das forças que moldam o nosso tempo.

A nossa reconfiguração e o nosso "nascer de novo" acontecem no chão concreto da história contemporânea, atravessado por transformações complexas e desafiadoras: os Clamores do Nosso Tempo. O Clamor Absoluto pela Paz: é um desafio constante, Vivemos em um planeta retalhado por conflitos armados, guerras sangrentas e uma geopolítica internacional marcada pela polarização e pelo rearmamento. A ausência de paz devasta populações inteiras, gera multidões de refugiados e fere a dignidade humana. A profecia do nosso Carisma nos exige ser tecelãs da paz e da reconciliação onde a violência tenta impor a última palavra.

A Era da Inteligência Artificial e da Mudança Tecnológica; A aceleração das tecnologias digitais e da Inteligência Artificial está redefinindo a comunicação, o trabalho, as relações interpessoais e a própria percepção do humano. Diante do risco de desumanização e de novas exclusões digitais, somos chamadas a discernir teologicamente como humanizar a tecnologia, colocando-a a serviço da verdade, do encontro e da vida.

Enfrentamos uma economia internacional que muitas vezes descarta os mais fracos, mercantiliza os recursos naturais e acentua o abismo entre ricos e pobres. O cuidado com a vida exige uma postura ética contra a "economia que mata", promovendo a solidariedade e a justiça socioambiental em nossas obras e presenças.

A Fratura Socioeconômica e o Grito da Terra e dos Pobres

A Dor do Mundo, vivemos sob a hegemonia de um modelo econômico global que mercantiliza a existência, devasta os ecossistemas e gera uma visível cultura do descarte. A crise climática não é neutra: seus impactos mais devastadores caem sobre as populações mais vulneráveis, os povos originários e as periferias do mundo.

A Resposta do Carisma: Teologicamente, o "grito da Terra é o mesmo grito dos pobres" (Laudato Si', 49). O cuidado com a vida exige de nós a vivência da Ecologia Integral como dimensão inseparável do nosso voto de pobreza e da nossa missão profética. Tecer esperança hoje implica assumir estilos de vida sustentáveis, denunciar a "economia que mata" e defender a Casa Comum como sacramento da presença de Deus.

Ser reconfigurada com Jesus Cristo significa permitir que o Seu olhar compassivo e a Sua práxis libertadora constituam o centro vivo do carisma do Imaculado Coração de Maria. Não somos nós que reconfiguramos a Vida Religiosa Consagrada; é o Cristo Ressuscitado que nos reconfigura à medida que nos deixamos encarnar nas dores do mundo contemporâneo.

3. A Eclesiológica da Trama: Esperança e Profecia no Tear da História

A imagem teológica do tecer remete-nos à mística da aliança, da fraternidade universal e do diálogo intercultural. A esperança cristã não é otimista ingênuo, mas uma virtude teologal enraizada na fidelidade de Deus. Tecer caminhos de esperança exige que sejamos parteiras do Reino em meio às crises políticas e econômicas, identificando as sementes do Verbo onde o mundo enxerga apenas ruína.

A profecia é a hermenêutica da compaixão. Tecer profecia hoje requer a audácia de desmantelar a apatia, erguendo a voz contra as injustiças globais e tornando a nossa presença um sinal límpido, de contracultura e de esperança no tear da história humana.

A Teologia do Cuidado: A Vida como Lugar Teológico Primordial

O cuidado com a vida — da pessoa vulnerável à integridade da Casa Comum — é o próprio critério de veracidade da nossa fé. A Criação inteira e os corpos feridos dos empobrecidos, das vítimas das guerras e dos excluídos pelos sistemas econômicos constituem o sacrário onde Deus habita e clama por libertação (cf. Rm 8, 22). Cuidar da vida exige assumir uma ecologia integral que unifique a mística, a ação política e a defesa irrestrita dos Direitos Humanos.

Nicodemos e a Ruptura do "Nascer de Novo"

No diálogo de Jesus com Nicodemos (cf. Jo 3, 1-8), confrontamo-nos com a insuficiência de uma religiosidade pautada apenas em estruturas consolidadas ou no saber estatuído. À pergunta de Nicodemos — "Como pode um homem nascer, sendo velho?" —, Jesus responde apontando para o mistério do Espírito, o vento que sopra onde quer. "Nascer de novo", exige a coragem de assumir a vulnerabilidade do recém-nascido, abandonando a nostalgia do passado e aceitando que o Espírito nos conduz por caminhos inéditos para responder aos desafios atuais.

O Horizonte do Discernimento: A Memória Viva e o Futuro Congregacional

Ao olharmos para o itinerário deste Capítulo, não caminhamos sós nem partimos do zero. Trazemos conosco e acolhemos com profunda gratidão a memória viva das 14 Superioras Gerais que antecederam este tempo capitular, desde a audácia pioneira da nossa fundadora, a Bem-Aventurada Bárbara Maix, Mulher fiel ao Projeto de Deus que deixou um legado para a congregação. Cada uma delas, em seu tempo histórico, enfrentou tempestades, incertezas e transformações eclesiais e sociais, mas todas mantiveram as mãos firmes no mesmo tear. Cada uma teceu caminhos de esperança e profecia impulsionada por um único e inegociável fio condutor: a Busca Contínua da Vontade de Deus. É esse mesmo fio carismático que hoje chega às nossas mãos.

É sob este testemunho de fidelidade que caminhamos para o dia 10 de novembro, quando vivenciaremos a eleição da Superiora Geral e do Conselho Geral e a votação das prioridades congregacionais:

Ao eleger o Governo Geral, buscaremos líderes espirituais e reflexivas, capazes de dar continuidade a essa tecedura histórica, discernindo os sinais dos tempos e guiando a Congregação com sabedoria, escuta e audácia carismática. Capítulo é tempo de atualizar o Carisma, rejuvenescer a espiritualidade e ressignificar a missão reconfiguradas em Cristo.

Ao votar as prioridades, traçaremos um compromisso profético que responderá aos apelos urgentes de paz, justiça econômica, acolhida aos vulneráveis e cuidado ético com a vida e as novas tecnologias.

Que Maria, a Mulher do Fiat e da Visitação, cujo Coração Imaculado é morada da Palavra e abrigo dos aflitos, nos acompanhe nesta travessia. Que Bárbara Maix e todas as nossas irmãs que nos precederam intercedam por nós e nos inspirem com a sua confiança inabalável na Providência Divina. Somos o oxigênio, como disse o Papa Leão XIV.

Sob a luz da Ruah Criadora, declaro aberto o Capítulo Geral Ordinário da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria!

Irmã Maria Freire da Silva
Irmã Maria Freire da Silva
Irmã Maria Freire da Silva


Autoria

Magnus Regis

Jornalista

Assessoria de Comunicação

Magnus Regis é formado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação e Marketing, com mais de 15 anos de experiência. Atua na Assessoria de Comunicação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria